O que é Fluxo de Caixa?

A administração financeira constitui uma das áreas mais importantes de qualquer empresa, pois é nesse setor que com o uso de ferramentas como o Fluxo de Caixa (FC), a firma consegue encontrar caminhos que permitam-na operar com baixos custos e alta margem de faturamento.

O FC constitui um dos conceitos mais importantes pra todo o empreendimento que deseja ganhar mais agilidade no planejamento dos seus passos futuros, pois com as previsões fornecidas por esta ferramenta, é possível evitar grandes prejuízos para a empresa bem antes de eles ocorrerem.

“Por isso, se o caro empresário deseja escapar de prejuízos e mais gastos no seu negócio, aproveite este post feito especialmente para você, e entenda o que é e como o Fluxo de Caixa pode tornar a administração financeira da sua empresa mais potente”   

O que é Fluxo de Caixa?

É comum ouvirmos de diversos pequenos empresários, comentários do tipo: no dia de pagarmos nossas contas, ficamos sempre “apertados”, pois geralmente não temos dinheiro suficiente para pagá-las. Mas ao mesmo tempo temos muitas contas para receber.

Se os nossos clientes nos pagassem antes dos vencimentos de nossas contas, não passaríamos por esta situação.

Nas operações diárias, é necessário trabalhar com um instrumento básico de planejamento financeiro denominado fluxo de caixa. Através dele, problemas como o de comprar com vencimento para um dia que coincida com grandes quantidades de pagamentos a quitar, são minimizados.

Além disso, ao elaborar um fluxo de caixa, o empresário terá uma visão de futuro próximo, ou seja, uma ideia de como a situação financeira estará nos próximos dias e semanas.

Esta visão de futuro próximo é o que falta à maioria das empresas de pequeno porte, o que faz com que algumas ações para reduzir dificuldades financeiras só sejam tomadas com algum atraso.

De acordo Santi Filho (2002)Fluxo de Caixa é a previsão de entradas e saídas de recursos monetários, por um determinado período.”

Essa previsão deve ser feita com base nos dados levantados nas projeções económico-financeiras atuais da empresa, levando, porém em consideração a memória de dados que respaldará essa mesma previsão.

O fluxo de caixa é no geral uma demonstração visual das receitas e despesas distribuídas pela linha do tempo futuro.

Segundo o autor Braga (1995), ainda temos que o “Fluxo de Caixa é a estimativa dos fluxos de pagamentos e recebimentos, distribuídos durante a vida útil do projeto e constitui o ponto de partida do orçamento de capital”.

Ou seja, o fluxo de caixa compreende os valores distribuídos no tempo e que correspondem às saídas líquidas de caixa ou o investimento líquido e as entradas líquidas de caixa ou os benefícios monetários líquidos.

Um fluxo de caixa bem administrado permite ao administrador financeiro manter a empresa em permanente situação de liquidez, administrar o capital de giro da empresa, avaliar os investimentos realizados em itens do ativo permanente entre outros.

O fluxo de caixa é em síntese um dos eventos mais fundamentais nos quais estão baseados as mensurações contábeis.

Quais os Fatores que afetam o Fluxo de Caixa?

Existem alguns fatores internos e externos que afetam o fluxo de caixa, podendo tornando o desequilíbrio entre ingressos e desembolsos frequente, que ocasiona diferenças acentuadas entre o previsto e o realizado, comprometendo a eficácia do sistema, bem como a sua liquidez.

Fatores internos:

  • Aumento dos prazos de recebimento das vendas, para aumentar a competitividade, maior que o prazo médio de pagamento;
  • Compras sem necessidades;
  • Descompasso entre os prazos de pagamento e os prazos de recebimento;
  • Política salarial incompatível com as receitas;
  • Excesso de imobilização;
  • Custo financeiro devido a endividamentos.

Fatores externos:

  • Inadimplência elevada;
  • Recessão econômica;
  • Concorrentes;
  • Mudanças de políticas tributárias;
  • Inflação e elevação da taxa de juros.

Salientando que também existem alguns fatores que aumentam e diminuem os saldos em caixa e são exatamente o oposto uma da outra, como por exemplo, o aumento do passivo não circulante, que seria um empréstimo a longo prazo.

Já uma diminuição deste Passivo ocasionaria uma diminuição do saldo de caixa, devido ao pagamento de um empréstimo de longo.

Por isso, para uma melhor análise do Fluxo de Caixa, em cada empresa e cada situação, deve-se estudar quais serão as melhores alternativas para utilizar os saldos em caixa, pois o controle do fluxo de caixa é tão essencial à empresa como o seu processo de planejamento, pois um depende de outro para que ambos possam ser úteis e práticos.

Demonstração do Fluxo de Caixa

A Demonstração de Fluxo de Caixa (DFC) propicia aos analistas financeiros uma fonte segura para melhor elaborar seus planejamentos financeiros, como também serve a outros usuários a forma com que a empresa gerou o caixa, ou até mesmo como utilizou os recursos e valores equivalentes ao caixa.

Essa demonstração propícia ao micro-empreendedor financeiro a elaboração de melhor planejamento, pois uma economia tipicamente inflacionária não é aconselhável, excesso de caixa, mas o estritamente necessário para fazer face aos seus compromissos.

Através do planejamento financeiro o empreendedor saberá o montante certo em que contrairá empréstimos para cobrir a falta de fundos, bem como quando aplicar no mercado financeiro o excesso de dinheiro, evitando, assim a corrosão inflacionária e proporcionando maior rendimento à microempresa.

A demonstração do fluxo de caixa é uma ferramenta muito valiosa para o administrador financeiro para um planejamento futuro onde a empresa vai apresentar os recursos providos de várias formas como vendas, financiamento e outras.

E as despesas fixas e variáveis tendo uma visão da situação lucrativa ou não, visando assim uma melhor lucratividade para a empresa.

A demonstração de fluxo de caixa mostra as alterações líquidas que ocorrem na empresa, e as atividades do fluxo criam essas mudanças.

De uma forma resumida, a DFC indica a origem de todo o dinheiro que entrou no caixa, bem como a aplicação de todo o dinheiro que saiu do caixa em determinado período, e também deve apresentar o Resultado do Fluxo Financeiro.

A DFC diferencia-se das demais demonstrações contábeis por não ser influenciada pela constituição de provisões contábeis, e assim pode-se analisar o impacto dessas provisões nos resultados da empresa.

Seu objetivo é prover informações relevantes sobre os pagamentos e recebimentos, em dinheiro de uma empresa, ocorridos durante um determinado período, facilitando deste modo o processo de administração dos recursos disponíveis na empresa.

Há dois tipos de demonstração do fluxo de caixa, são eles: método direto e indireto, conforme será apresentado, já a seguir:

Método Direto

O fluxo pelo método direto é também denominado fluxo de caixa no sentido restrito.

Regista parte do saldo do caixa do período anterior, como saldo inicial, assim adiciona as entradas e subtrai as saídas do caixa, evidenciando-as a começar das vendas, por seus valores efetivamente realizados (recebidos).

Muitos se referem a ele como o “verdadeiro fluxo de caixa”, por que, nele são demonstrados todos os recebimentos e pagamentos que efetivamente concorreram para a variação das disponibilidades do período e permitem melhor visualização e compreensão das principais transações de encaixe e desembolso de caixa.

Marion (2003, p. 431), descreve o método direto como:

O fluxo de caixa pelo método direto é também denominado fluxo de caixa no sentido restrito. Muitos se referem a ele como o verdadeiro fluxo de caixa, porque, (…) nele são demonstrados todos os recebimentos e pagamentos que efetivamente concorreram para a variação das disponibilidades no período.

No método direto, as atividades operacionais, são apresentados primeiro os itens referentes às entradas depois às saídas. Por exemplo: primeiro apresenta o valor da receita de vendas de mercadorias e serviços, depois se subtraem os pagamentos a serem efetuados: fornecedores, salários e encargos sociais, impostos e outras despesas legais, em seguida são adicionados os dividendos recebidos e recebimentos de seguros.

O método direto apresenta uma forma bem simples para a análise dos recebimentos e pagamentos, pois este método retrata o que a empresa tem a receber e a pagar oriundo da atividade desenvolvida pela mesma. Hoji (2003, p. 208) assinala que, “fluxo de caixa direto facilita a visualização e a compreensão do fluxo financeiro, pois demonstra os recebimentos e pagamentos provenientes das atividades operacionais”. Nos termos do Conselho Regional de Contabilidade de São Paulo – CRCSP (1997, p.111):

O fluxo de caixa referente às transações originadas de atividades operacionais poderá ser apresentado tanto pelo método direto quanto pelo indireto.

O Financial Accounting Standard Board (FASB), através da FAS-95, incentiva, mas não exige a utilização do método direto.

Com relação às transações originadas em atividades de investimento ou financiamento, tanto pelo método direto como pelo indireto não apresentam diferença na demonstração do fluxo de caixa.

Esse método relaciona os fluxos que efetivamente geram ou consomem caixa das operações. Possui como principal vantagem sua simplicidade relativa, embora possa parecer-se em parte com a demonstração de resultado numa base caixa.

Este método não realiza a reconciliação entre o lucro contábil e o caixa operacional.

Há ainda outras vantagens como: criar condições favoráveis para que a classificação dos recebimentos e pagamentos siga critérios técnicos e não fiscais; permitir que a cultura de administrar pelo caixa seja introduzida mais rapidamente nas empresas; disponibilizar as informações de caixa diariamente.

Como desvantagens o método direto apresenta: o custo adicional para classificar os recebimentos e pagamentos; a falta de experiência dos profissionais da área financeira em usar as partidas dobradas para classificar os recebimentos e pagamentos.

Para a realidade da maioria das empresas brasileiras, o método direto traz mais benefícios, principalmente para a redução dos custos financeiros, pois demonstra os recebimentos e pagamentos derivados das atividades operacionais da empresa, em vez do lucro líquido ajustado, além de mostrar efetivamente as movimentações ocorridas no período.

Método Indireto

O método indireto é estruturado por meio de um procedimento semelhante ao da DOAR (Demonstração das Origens e Aplicação de Recursos) podendo mesmo ser considerado como uma ampliação da mesma.

Consiste em estender a análise dos itens não circulantes – próprias daquele relatório – a alteração ocorrida nos itens circulantes (passivo e ativo circulante), excluindo, logicamente, as disponibilidades, cuja variação estamos buscando demonstrar.

O Fluxo de caixa indireto é semelhante à Demonstração das Origens e Aplicação de Recursos, pois os recursos gerados pelas atividades operacionais são calculados por meio de lucro líquido ajustado complementado com aumento ou redução dos saldos das contas do ativo e passivo circulante.

Também denominado como fluxo de caixa no sentido amplo.

Isto se explica pela análise dos fundamentos de sua elaboração. Assim, parte-se do lucro líquido, no qual é efetuado ajuste pelo valor das operações considerado receitas ou despesas, mas que não afetaram as disponibilidades, de forma que se possa demonstrar sua variação no período.

O método indireto parte do resultado líquido do exercício até chegar ao FCO (Fluxo de Caixa Operacional) após uma série de ajustes.

Num primeiro momento elimina os efeitos que não afetam o caixa, mas que estão incluídos no resultado líquido; em seguida converte esse valor no FCO pelos ajustes de acréscimos ou decréscimos nos ativos e passivos operacionais de curto e de longo prazo.

Sua principal vantagem consiste em reconciliar o Lucro Líquido ao caixa operacional.

O Fluxo de Caixa Indireto também é tido como o Método Indireto é estruturado por meio de um procedimento semelhante ao da Doar podendo mesmo ser considerado como uma ampliação da mesma.

Consiste em estender à análise dos itens não circulantes – própria daquele relatório – as alterações ocorridas nos itens circulantes (passivo e ativo circulante).

O método indireto consiste na integração entre o lucro líquido da Demonstração do Resultado do Exercício e os valores que não representam desembolso: depreciação e amortização; provisão para devedores duvidosos aumento ou diminuição referente a fornecedores, aumento ou diminuição de valores em contas a receber.

O método demonstra outras vantagens como: o baixo custo, pois basta utilizar dois balanços patrimoniais (o do início e o do final do período), a demonstração de resultados e algumas informações adicionais obtidas na contabilidade; e a conciliação do lucro contábil com fluxo de caixa operacional líquido, mostrando como se compõe a diferença.

Como desvantagens o método apresenta: o tempo necessário para gerar as informações pelo regime de competência e só depois convertê-las para regime de caixa. Se isso for feito uma vez por ano, por exemplo, podem surgir surpresas desagradáveis e tardiamente; em caso de interferência da legislação fiscal na contabilidade oficial, e geralmente há, o método indireto irá eliminar somente parte dessas distorções.

Esse método consiste em estender à análise dos itens não circulantes e a alteração ocorrida nos itens circulantes (passivo e ativo circulante), excluindo as disponibilidades.

Assim, parte-se do lucro líquido, no qual é efetuado ajuste pelo valor das operações considerado receitas ou despesas, mas que não afetaram as disponibilidades, de forma que se possa demonstrar sua variação no período.

“Conheça nos próximos tópicos outros tipos ou métodos de demostração do Fluxo de Caixa e como eles funcionam”

Fluxo de Caixa Operacional

O fluxo de caixa operacional (FCO) é o resultado financeiro produzido pelos ativos identificados diretamente com a atividade da empresa.

O FCO é obtido na Demonstração do fluxo de Caixa, no primeiro grupo de operações: das atividades operacionais.

Esse grupo contém o resultado das operações relacionado às atividades fins da empresa.

Através deste pode-se calcular um índice de liquidez diferente daquele obtido no Balanço Patrimonial.

O fluxo de caixa operacional corresponde aos resultados financeiros, no sentido estrito de caixa, produzidos pelos ativos identificados diretamente com a atividade da empresa.

Sendo que o FCO representa uma medida dos recursos financeiros gerados pelas atividades estritamente operacionais e disponíveis em termos de caixa.

Essas, por sua vez, envolvem todas as atividades relacionadas com a produção e entrega de bens e serviços e os eventos que não sejam definidos como atividades de investimento e financiamento.

Normalmente, relacionam-se com as transações que aparecem na Demonstração de Resultado.

Como calcular o Fluxo de caixa operacional? – Para entender a metodologia de cálculo do FCO vejamos o seguinte exemplo:

Receita — — — — — — — — — — R$20.000,00

Despesas: — — — — — — — — — R$8.000,00

LAIR: — — — — — — — — — — — R$12.000

Impostos: — — — — — — — — — R$4.000,00

Fluxo de Caixa Operacional: — R$8.000,00

Sendo assim, podemos entender a fórmula do Fluxo de Caixa Operacional como: LAIR (Lucro Antes do Imposto de Renda) – Impostos.

Fluxo de Caixa Projetado

O fluxo de caixa projetado é um recurso por meio do qual o gestor financeiro é capaz de antecipar situações de risco ou falhas que podem comprometer o orçamento da empresa, permitindo que, assim, ele tome as medidas necessárias para evitá-las antes mesmo que se concretizem.

Consiste na projeção, para um período futuro determinado, das entradas e saídas do caixa da empresa, contando com suas contas a pagar e receber das datas futuras dentro desse período.

Sem um fluxo de caixa projetado, a empresa torna-se vulnerável a problemas financeiros diversos, pois não consegue prever, por exemplo, quando haverá recursos para cobrir despesas como investimentos, imprevistos, ou até mesmo se será necessário recorrer a um financiamento.

Em resumo, o fluxo de caixa projetado é uma ferramenta que serve para que empresas possam ter um conhecimento mais profundo a respeito de sua receita, lucros e despesas.

Estrutura e planejamento do fluxo de caixa – Como fazer?

Na estruturação do fluxo de caixa, são necessárias inúmeras informações que podem e devem contribuir para torná-lo mais eficaz perante as necessidades da empresa.

Essas informações abrangem dados referentes a atividade econômica da empresa, seu porte, as necessidades relativas aos estoques, os tipos de clientes, a origem dos recursos, as prioridades dos fornecedores e os gastos.

O tratamento dado a essas informações é relevante para que os demais setores da empresa possam ser devidamente orientados, e assim, possam contribuir para a melhora da gestão financeira.

Portanto, o fluxo de caixa é elaborado de acordo com as informações recebidas dos diversos setores da empresa, sempre respeitando os seus cronogramas de ingressos e desembolsos financeiros, conforme afirma Piveta (2005, p. 7):

“Elabora-se o fluxo de caixa a partir de informações recebidas dos diversos departamentos, setores, seções da empresa, de acordo com o cronograma anual ou mensal de ingressos e desembolsos, remetidos ao departamento ou gerência financeira”.

É inegável que as empresas necessitam controlar seus valores a receber e a pagar, diante disso, o fluxo de caixa projetado surge como uma importante ferramenta a ser utilizada, possibilitando a verificação da existência de possíveis excedentes de caixa e a melhora maneira de aplicá-los, como também a possibilidade de prever possíveis ausências de recursos e as possibilidades de financiamentos com o intuito de evitar futuras dificuldades.

O planejamento do fluxo de caixa é um instrumento utilizado para elaborar, de forma eficaz e eficiente, o planejamento e o controle financeiros das atividades e de capital da empresa, auxiliando na tomada de decisão.

O planejamento da área financeira da empresa estabelece as metas da empresa, motivando a organização e determinando marcos que servem de referência para a avaliação do desempenho.

Neste contexto, o planejamento do caixa surge como uma ferramenta que auxilia na aferição e interpretação das variações apresentadas nos saldos das disponibilidades da empresa, relacionando suas contas a pagar e receber.

O fluxo de caixa apresenta-se como uma ferramenta de aferição e interpretação das variações dos saldos do disponível da empresa.

É o produto final da integração do Contas a Receber com o Contas a Pagar, de tal forma que, quando se comparam as contas recebidas com as contas pagas, tem-se o fluxo de caixa realizado e, quando se comparam as contas a receber com o contas a pagar, tem se o fluxo de caixa projetado.

Para uma boa estruturação do fluxo de caixa, são necessários alguns cuidados. Para que seja possível otimizar seu potencial, algumas informações são relevantes.

Sendo que algumas informações relevantes param a estruturação do fluxo de caixa, são as seguintes:

  • Projeção de vendas;
  • Estimativas de compras;
  • Levantamento das cobranças efetivas com os créditos a receber;
  • Periodicidade do fluxo de caixa;
  • Orçamento dos demais ingressos e desembolsos de recursos.

A importância do fluxo de caixa na gestão financeira das empresas

Com a aplicação do fluxo de caixa como um instrumento de auxílio na gestão financeira, é possível prognosticar possíveis períodos em que ocorrerão sobras ou falta de recursos financeiros no caixa, contribuindo assim, para que o administrador financeiro tome as medidas necessárias para prevenir tais fatos.

O fluxo de caixa é de fundamental importância para as empresas, constituindo-se numa indispensável sinalização dos rumos financeiros dos negócios.

Para se manterem em operação, as empresas devem liquidar corretamente seus vários compromissos, devendo como condição básica apresentar o respetivo saldo em sua caixa nos momentos dos vencimentos.

A insuficiência de caixa pode determinar cortes nos créditos, suspensão de entregas de materiais e mercadorias, e ser causa da descontinuidade em suas operações.

Na maior parte das empresas, suas dificuldades financeiras tem relação direta com desequilíbrio entre a entrada e saída de recursos financeiros do caixa.

Como o fluxo de caixa retrata as origens e saídas de recursos financeiros da empresa, conforme as efetivas datas de recebimentos e pagamentos, possibilita a realização de uma avaliação entre as receitas e despesas.

É importante ressaltar que, para um bom equilíbrio financeiro da empresa o volume das entradas e saídas de caixa necessitam estar equilibradas, o ritmo das entradas de caixa provenientes das operações deve estar coerente com os desembolsos por elas provocadas.

Para que a empresa mantenha um equilíbrio constante de seus recursos financeiros, é necessário que haja um constante monitoramento por parte da administração financeira, mantendo o foco nos fatores que podem gerar falta de recursos na empresa, e consequentemente, desequilibrá-la financeiramente.

Nesse sentindo, o planejamento do fluxo de caixa é um instrumento que pode ser utilizado pelas empresas para sanar tais problemas, pois este é o instrumento mais preciso e útil para levantamentos financeiros a curtos e longos prazos.

Uma empresa que mantém um fluxo de caixa atualizado poderá dimensionar de maneira mais precisa a quantidade de ingressos e de desembolsos de recursos financeiros, assim como fixar o nível de caixa desejado para o período seguinte. Para que isso aconteça, o planejamento de caixa surge como um importante instrumento, pois ele:

  1. Indica com certa antecedência as necessidades de recursos financeiros para os vários compromissos assumidos, com data certa para serem liquidados.
  2. Permite que se visualizem os períodos em que ocorrerá diminuição dos recursos ingressantes, seja por questões de mercado, seja por questões econômicas regional e/ou nacional, para que a empresa não programe desembolsos vultuosos para esses período.

Devido a sua importância para a administração financeira, o fluxo de caixa pode assumir diferentes vertentes, e justamente por se tratar de uma ferramenta de gestão, pode ser analisada de acordo com diversos tipos de abordagens teóricas:

Abordagem tática: é aquela que faz referência ao fluxo de caixa como um instrumento de utilidade restrita e acompanhamento.

Abordagem estratégica: é aquela que afeta o nível de negócios da empresa não só a curto prazo, mas também, e principalmente, a longo prazo.

Tem efeito sobre questões ligadas às decisões realmente estratégicas da empresa.

Ao compartilhar da ideia de que o fluxo de caixa possui um importante papel na gestão financeira das empresas, admitimos a existência de diversos objetivos a serem contemplados pela gestão do caixa, e dentre eles, podemos citar os seguintes:

  • Proporcionar o levantamento de recursos financeiros necessários para a execução do plano geral de operações e para a realização das transações económico-financeiras da empresa;
  • Empregar, da melhor forma possível, os recursos financeiros disponíveis na empresa, evitando que fiquem ociosos e estudando antecipadamente a melhor aplicação, o tempo e a segurança de tais recursos; e
  • Planejar e controlar os recursos financeiros da empresa, em termos de ingressos e desembolsos de caixa, através das informações constantes nas projeções de vendas, produção e despesas operacionais, assim como de dados relativos aos índices de atividades, prazos médios de rotação de estoques, de valores a receber e de valores a pagar.

Em suma é importante fazer um planejamento do fluxo de caixa, porque irá indicar antecipadamente as necessidades de numerário para o atendimento dos compromissos que a empresa costuma assumir com prazos certos pra serem saldados.

Já que o planejamento do fluxo de caixa permite ao administrador financeiro verificar se poderá realizar aplicações a curto prazo com base na liquidez, na rentabilidade e nos prazos de resgate ao planejar e implementar o fluxo de caixa o administrador financeiro estará apto a planejar com a devida antecedência, os problemas de caixa que poderão surgir em consequência de reduções das receitas ou de aumentos no volume dos pagamentos.

Acrescesse também que o outro papel importante, que desempenha o fluxo de caixa, é a possibilidade de evitar a programação de desembolsos vultosos para períodos em que os ingressos orçados serão baixos por questões de mercado, por exemplo.

Levando tudo isso em conta, não há como uma empresa conseguir andar no caminho certo sem usar o Fluxo de Caixa, portanto, se você ainda não aplica esse conceito na hora de tomar decisões importantes, deve começar a usá-lo, uma vez que quando o FC é bem feito, fornece dados relevantes para a empresa.

Alertando que, o Fluxo de Caixa deve ser montado por uma equipe que conte com uma assessoria contábil, pois sem alguém que tenha conhecimento consolidado do assunto na equipe, este pode vir a sair imperfeito, ou seja, fornecer informações erradas.